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domingo, 5 de setembro de 2010

MAIS UMA (OU AINDA) PORTA

Há grande simbolismo na ideia, na simples ideia de uma Porta.
Grande número de pessoas com as quais tenho conversado, me asseguraram
que falam ou já falaram em algum momento com as paredes.
Como tenho cometido repetidamente esse desvario, resolvi furá-las e no furo venho instalando Portas, que eu mesmo tenho criado.
Tanto as concretas, quanto as metafóricas.
Conquanto o sentido mais profundo que numa prosa PORTAS possa vir encerrado, a esse deixo a quem a ler o direito universalíssimo de o desvendar...


Dizem que para cada porta que se fecha, Deus abre duas... Mas eu não acredito. Sendo o Diabo que as fecha, segundo a crença, não andaria por aí Deus reabrindo-as, com tantas coisas para fazer na direção do universo!

E do mesmo modo o Diabo, em vez de andar por aí a fechá-las. E também porque raras vezes não se bate à porta de alguém que não venha atendê-la uma pessoa assustada, mal humorada, ou desconfiada, com razão, com medo até da própria sombra. E estaria ali Deus em forma de gente assustada, abrindo-a, certamente que não!

Portas concretas ou abstratas não se abrem por magia, senão com as chaves das mãos ou da inteligência. E deste modo temos portas magníficas, tanto abstratas quanto concretas, além do que, portas são portas e tanto se abrem para deixar sair o indesejável, quanto se fecham para reter quem se deseja que dentro permaneça... No caso da boa hora e da boa porta instalada sob os auspícios da conjugação harmoniosa do cosmo...

Portanto, portas são portas abstratas ou concretas, abertas ou fechadas, por onde se entra e sai ou deixa de entrar e de sair. Porque realmente portas são apenas portas, de entrar ou sair, não abertas por Deus nem fechadas pelo Diabo.

Afinal, portas do céu ou do inferno são portas mitológicas, místicas, e as da terra concretas ou abstratas se abrem e fecham por engenho humano, e não de deve enfiar nessa história de portas Deus nem o Diabo, que nem um nem outro têm nada como isso.

E o homem precisa andar com seus próprios pés, manipular com as próprias mãos, amar com seus próprios “atributos”, pensar com seus próprios “instrumentos”, estejam dentro ou fora de sua cabeça, e sair ou entrar em qualquer porta sem ajuda divina nem impedimento diabólico (...) (rsrsrs)

Enquanto assim não estiver resolvido, não diga nada e nunca vote. Pois seu voto será a primeira palavra numa sentença de morte de uma nação, que não tem porta, por não ser a Casa da Mãe Joana nem reduto de aventureiros.