
I) TAMBOR:
Ao longe, calou-se o tambor.
Não rufa mais o tambor.
Não, o tambor não rufa mais!
Conquanto rufasse para avisar da chegada dos ladrões
calar-se só pode ser por ter sido abatido, o seu tocador!
Dever ter sido atingido mortalmente por uma bala.
Só por duas razões se calaria: extinção dos ladrões ou calado por eles.
Com tantos que a cada dia ganham a praça, tudo leva a crer
na segunda hipótese; e o calaram para eles chegarem em silêncio
aos bandos,
quando deveria então rufar freneticamente, pois até o rei dos ladrões
comanda das sombras e até muito do ar!
O rei não para de voar!
E assim é que o rei alimenta o crime do roubo em atacado.
E ele pessoalmente rouba cada centavo que passe pela sua mão.
Rouba qualquer coisa e quando mais não tiver que roubar sílabas, letras, e regra da palavra que por desgraça tiverem caído na sua boca maldita.
Esse rei rouba compulsoriamente qualquer coisa ao alcance da sua mão.
Até a cena esse rei gosta de roubar!
E ainda assim ao longe se cala o tambor e reina o silêncio?
Liquidaram de fato com o tocador do tambor!
Sim, os ladrões proliferam cada vez mais vorazes!
Deveria então freneticamente rufar o tambor, no ritmo da expansão
dos ladrões, incentivados pessoalmente pelo rei voador
e prolixo corruptor até da palavra, cujo termo prolixo
nunca fora tão adequado de modo que pró-lixo cada palavra
que diga, condenada a passar pela tragédia de sua maldita boca!
2) PENSAMENTO:
O pensador que não pensa nada permanece sentado em pose de sábio
ou desdenhando de quem fala e ele não entende.
O pensador é certamente um tolinho que não sabe que não sabe
e ao fingir saber, revela em torno de si outras pessoas que seguem
essa mesma trilha seca de entendimento, e néscios molestos
atordoados, e então a charada está pronta:
Suas chaves são:
Tambor, ladrão, rei, tolo pensador e néscios
consortes, em torno de uma roda de personagens
idiotas fantasiosos.