segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

SATURNO



Satanás Sat-ur-anás sentou-se no trono de Saturno, e de lá comanda o seu reino. Quando pisa no acelerador tudo corre; e com as coisas correndo, com elas corre o tempo, corre a vida.

E quem não se apressar, antes daquele magnífico prado verdejante com amplas e largas alamedas povoadas de aves raras e indescritíveis delicias, verá apenas um mísero quintal com umas poucas e mal nutridas galinhas no seu pequeno e sujo terreiro.

Isto é sério, e não é ele – Satanás – sat-ur-anás tão feio como o pintam! Há até quem diga ser Ele a mais Bela Estrela do Eterno!

Mas o trono de Saturno encerra duas distintas e próximas metáforas: numa conta o tempo, noutra a velocidade do movimento. Como são metáforas podem ser interpretadas como os crentes investidos de pastores de gravata e poucas leituras interpretam ao próprio Satanás sat-ur-anás...

Mas se ele está muito acima dessa cegueira mental e ligado a um Planeta, como um destes interpretes cego pode falar dele, se não sabe distinguir um planeta de um cometa, um frango de um peru, uma formiga de um rato ou um berro de um solfejo?

Mas falar de Satanás, sat-ur-anás, mesmo que não saiba o que diz ainda se desculpa; porém falar em nome de Deus é no mínimo uma grande heresia, porém heresia enquanto sinônimo de burrice e não de “diferente”... Pois que eles não sabem mesmo o que seja heresia; e convenhamos, é de fato uma grande asneira, posto não haver diferentes para sempre...

Evidentemente no sentido etimológico do termo e não usado pelas igrejas.

Mas deixemos estes por fora, que aquele misterioso personagem tem um mérito inegável: direta ou indiretamente obriga a olhar o outro, nem que seja pelo terror devido ter-nos concedido a individualidade... Pena que ainda muitos, apesar disso, não vejam o semelhante sem que nele projetem o seu inimigo; ou na melhor das hipóteses, caso não pertença à mesma seita, um ninguém.

E isto é fruto de muitos distúrbios e disfunções da personalidade, que juntamente com o fanatismo fruto da ignorância, não permite se reconheça o outro, como igual, salvo houver extrema necessidade e se precise de um aliado ou de um simples favor...

Obstáculos e desconfianças geram sempre muitas barreiras que precisam ser vencidas; e ao longo da história, os grandes confrontos que resultaram em grandes guerras originaram-se da síntese desses pequenos confrontos com o próximo, numa crescente onda de intolerância.

Assim como os movimentos coletivos em prol de uma causa benemérita seja o resultado de um despertar lá nas profundezas de um ingênito sentimento solidário, ou talvez um pequeno reflexo do amor universal, ainda sepultado pelo egoísmo; mas que, ainda e apesar de tudo, resiste e sobrevive.

Ainda assim Satanás precisa ser mais bem esclarecido... Evidentemente fora dessa questão bem e mal, e muito distante e bem além dessa avaliação que dele fazem os pastoreados de todas as crenças, temerosos de um algoz que eles próprios criaram...

Todavia Satanás continua sentado no trono de Saturno completamente redimido, mas o seu representante negativo está agora com quem o criara, para dessa imagem obter vantagens e dessa forma é que adquiriu corpo pelas constantes formas pensamento; e está neste momento em alguma igreja “mundial” ou episcopal do evangelho do terceiro ou do primeiro ao décimo dia de uma ordem, que deveria ser quarta...

Por se estar na terra; e só por isso e não por outro motivo é que deveria ser quatro, onde o cinco é o grande gerador do movimento. (???)

Possuindo muitos personagens, inclusive Satanás que afugenta os crentes temerosos obrigando-os a se esconderem atrás de uma cruz, na qual crucificaram o seu irmão, a quem tomaram naquele momento por ele e hoje chamam de Jesus. Mas isto fica para depois da contenda, se o permitir o Quinto! (...)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Canção só possível em silêncio.




Por não saber cantar, não sei por que faço uso das palavras, por falar!
Ah, se eu fosse Camões, mas eu não sou que divinamente cantasse em língua lusa
Uma canção, em que refulja um refrão, que ninguém nunca cantou!

Mas como também palavras eu não tenha pra cantá-la,
Também não tenho Guitarras para acompanhá-la,
Não, nem melodia eu tenho pra compô-la!

E então e assim não sei por que, não sei por que não me calo,
E ainda mesmo assim eu falo embora cantar eu não cante!
Embora ao falar por falar, não cante não cante...

Embora sem cantar falante, embora eu fale, me atreva a discordar.
Atrevido ao discursar, me atreva a não ouvir, embora falar nem devesse!
Nem devesse, já é hora de partir, novo dia amanhece,

E por também nem a sorrir me despeça e num instante a seguir...
De repente emudecer, calar, calar, calar, sem nada dizer...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

“TERCEIRO MILÊNIO”







Grandes temas afligem uma pequena parcela da humanidade, enquanto a maioria segue desfrutando o gosto amanhecido da vontade primária.

E não existem nesta maioria muitos níveis, sociais. E o que os nivela no mesmo estado de consciência, sejam ricos ou pobres, infelizmente é a ignorância quanto aos deveres de cada cidadão, que vem antes de qualquer direito, em relação aos elementos vitais indispensáveis a uma existência pacífica, dentro do planeta Terra.

Com a vontade primária orientando a maioria desde os primórdios tempos da existência humana relativa à manutenção da espécie, só alguns poucos conseguiram já romper tal barreira, mas se por acaso se disponham a orientar, clamam no deserto...

E é assim florestas vão sendo devastadas, toneladas de lixo aéreo a cada momento lançadas no espaço, toneladas de lixo orgânico acumulam-se ao longo dos rios e riachos, conquanto o pior lixo, invisível penetra pelos ouvidos receptíveis dos filhos da vontade primária, e alienados não conseguem romper as amarras de ferro, onde vão presos; e a humanidade é o que é, às portas do terceiro milênio!

Existem previsões terríveis para salvar o que resta de positivo no homem, e seu habitate: grandes tragédias financeiras, enchentes devastadoras, energias telúricas imprevisíveis cumprindo o seu papel na versão dolorosa, pois quem não aprende com amor, aprenderá pela dor.

Verdadeiras prisões mentais forma instaladas no seio da humanidade por líderes falsos, tanto no aspecto social, quanto na crença de um deus humanizado, que só fazem o jogo maldito, esses líderes que lhe tomam o suor, ainda que esses falsos profetas se esqueçam de que esses pães tomados da boca do pobre são em verdade excrementos, expelidos pela vontade primária.

Nada disto é já uma novidade, pois de há muito vem sendo anunciado pelo Verbo Solar de todas as épocas através de Cristo, Buda Maomé, Pitágoras e de um misterioso José...

Pouco importa se os sectários seguidores de uma seita teimam em negar a outra, como se a Divindade estivesse sujeita à vontade primária deste ou daquele líder e seu rebanho, mas tirem o cavalinho da chuva, que não está!

Também outras levas vão pelo caminho devastando, cegas, propriedades alheias, pisando nas leis, angariando desocupados, constituindo-se no grande contingente de um cortejo fúnebre, aproximando-se rapidamente do caos.

Mas dos restos mortais de “tudo quanto a musa antiga cantava” renascerá qual flor do lótus a fênix das próprias cinzas! E voará bela, heróica outra vez porque a vida não pode parar!

Fazendo justiça àquele que em boa hora renunciou ao divino trono para acelerar o ritmo da evolução, e porque tivesse pressa aumentou a marcha evolutiva por este mar pesado, que agora corre em ritmo forte.

Todavia transcendente a este mar e a este caminhar do pequeno planeta chamado Terra, transcendente a esta pequena parcela de seres chamados indevidamente humanos que desgovernam o mundo, resolveu que deveria andar cada um com seus próprios pés, e a colher o que plantasse, pois ainda que divinos, todos em essência, ainda poucos sabem disso.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

UM NOME





Escrevi meu nome numa folha velha e decidi lançá-lo ao vento, na primeira soprada forte que passou por mim.
Acorde não se ouviu do encontro do vento com a folha, nem olhou para trás a ver quem lançara aquele nome escrito na folha.
Algum tempo depois, já esquecido dele, juntamente com umas folhas de árvores secas e uns gravetos velhos veio ter aos meus pés, desfigurado na velha folha toda amassada.
Fiquei deveras muito triste ao vê-lo assim esfarrapado, mas rapidamente compreendi que eu não sou ele. Não, eu não sou aquele nome.
Existo sem ele, mas ele não existe sem mim. Ele é somente um nome sem sujeito. Seria eu o seu sujeito, mas não sou mais depois que o lancei ao vento.
Hoje, farrapo inútil, será ainda substantivo próprio se alguém o adotar; senão, não é nada. Abdiquei dele para que seja apenas um nome qualquer, que lancei ao vento escrito numa folha velha.
Porque numa folha velha? Inconscientemente sem compaixão. Escrito no papel rasgar-se-á e na primeira água se diluirá.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

HOMENAGEM AO MESTRE




Minha primeira indagação tão logo acorde é perguntar-me, quem sou eu? E nesse momento peno todas as culpas psíquicas, sofro o desconforto e desconfiança emocional e me recrimino, caso no dia anterior tenha seguido pelos desvios do caminho, burlando a regra que determina o rumo de ir a mim pelo caminho do meio.

É verdade que não é esse rumo muito claro, nem a linha divisória perfeitamente definida que separa uns de outros caminhos, nem os possíveis desvios assinalam com exatidão a trilha correta entre o certo e o errado, mas como é um centro, vale!

E então ante a precariedade cognitiva e a fragilidade sentimental de mero ser humano dou de ombros, e no ato seguinte me auto-absolvo, certo de que vou a fazer o que é possível, em “vigilância dos sentidos”.

E é assim e à minha maneira que eu continuo buscando o meu pessoal ar, a minha oculta cor, - que ninguém vê as cores como eu vejo - o meu inconfundível e agradabilíssimo paladar, o perfume singular... E o quase agora, que ainda não sei o que seria totalmente supremo e único, o meu pessoal amor.

Mas sendo este meu andar a única fórmula de seguir redescobrindo-me respiro fundo a cada manhã, ao levantar-me, e aí descubro estar vivo pela ardência nos pulmões, provavelmente pelos longos anos de ex fumante.

Sorrio então levemente, com convém a um sorrir contido e penso com os meus botões: como são ingênuos aqueles que me vendo sorrir alegremente pensam não haver mais espinhos, em meu caminho! Vendavais não, esses não!

E mesmo quando os houvera foram tão passageiros, que num breve piscar de olhos desapareceram; e por ser tudo passageiro, pois realmente tudo desaparece na impermanencia das formas onde há homens, onde há ondas, onde há animais...

Sim, onde há fêmeas, machos e bacanais, há ondas invisíveis e lascivas levantadas, inevitáveis passagens de um estado ponderado a outro imponderado e funerais... Éticos, certamente morais e de corpos!

E como há homens até abaixo de onde há animais... Seguirei este meu pessoal caminho até esgotar o meu ente funeral, que é físico, porque sei, o meu não sei é metafísico...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ANTÍTESE DE ESPINHO




Por causa de uma rosa despetalada, rompeu-se uma grande bolha no céu; e por esta fenda tremenda, o sol escaldante tornou-se infernalmente ígneo... Em fogo, vulgarmente dito.

Quem diria que uma simples rosa despetalada causaria tamanho dano ao cosmo? As grandes florestas do mundo devastadas precipitaram a queda do céu aos pedaços; e o homem, outrora reflexo de estrelas, é hoje mera sombra vazia ou carvão, daquele que fora e alimentara alhures a esperança de Deus.

Afinal, fizera-o à sua própria imagem! Pena que não vingara. Deslumbrado com o próprio reflexo no espelho, tal Narciso com instinto de artista, saiu cantando e destruindo tudo insanamente e não percebeu quando a essência o deixou.

E prosseguiu embriagado a rir como um palhaço, vestido de arlequim dando vida à própria sombra. Felizmente existem crianças, e também alguns adultos valorosos da espécie humana!

Mas como essa sombra é só um fantasma, não possui densidade molecular, não se antepõe ao sol e nem é visível essa sombra astral! Antes fizera semelhante papel o inconsciente coletivo; este, porém, transcendeu e se libertou do estado vegetativo em que vive este homem que o projetou de si mesmo, numa forma inferior.

E esta sombra etérea no mais baixo astral da terra, passou a alimentar e a fingir de ser a estes contingentes de espectros quase humanos, de onde alguns ganharam corpo, voz, e em simulacros se vestiram de estadistas e desgovermam essa gente.

Sombras das sombras dos homens de outrora e de alguns do presente, mas viva o futuro! Porque, como o disseram, homens e crianças ainda existem!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ÁRVORE PÁTRIA





Eu sou aquele viajante que partiu de sua Pátria um dia, e nunca mais voltou. Desde lá caminho sem parar e o faço apenas pelo dever de caminhar. Tenho noções do rumo, mas não sei exatamente onde irei ter. Não seguirei à esquerda cega, nem à direita gulosa. Mas não deixo de seguir a minha estrada, ainda que o faça sentado na calçada de qualquer esquina da vida, onde seja possível pensar. E este pensar é sem dúvida o meu único e possível caminho.

E se eventualmente nele encontrei espinhos, hoje já me não ferem. Embora os sinais indeléveis marquem meus pés e a minha alma. Mais a alma do que aos pés; todavia grato lhe sou por tudo quanto colorido há no mundo e a meus olhos permitiu que eu visse.

E há agora um pouco colorido em meus dias, onde outrora existiram lágrimas, que grande tolice, e às vezes em crises profundas mágoas, que grande asneira!

Não as choro nem as sinto mais daqueles espinhos, mas como as pedras brutas pelo caminho ainda ferem quem por elas ande... Alguns obstáculos ainda hão de existir, para me acordarem e lembrar, mas já sem às lágrimas segregar. Para quê? Chovê-las por serem líquidas, ou vertê-las por serem tristes e espúrias? É possível ser triste sem chorar, salvo precisemos lubrificar as pupilas e manter os olhos abertos sem sofrer.

Este é o código dos navegantes; e estas são as armas dos guerreiros da paz. Existem outras, mas a essas outras não as conheço. Não permite minha humilde formação conhecer muitas coisas, nem sou culto para depositário de algum saber mais alto ser.

Contenta-me o andar calmo e leve sem grandes pesos carregar, que os meus ombros fracos não agüentariam grandes “bens”... Talvez tenha sido até um pouco indolente com os bens mais caros, mas ainda assim vale-me o sacrifício de seguir mais livre e sem patrimônios a prenderem-me a qualquer lugar.

Ao vento suave que ao passar a brisa sopra-me o longe, o incógnito, exalto em louvor quando o sol quente aquece-me a cabeça e a faz vacilar na direção incerta. Mas louvo ao sol, como não poderia deixar de fazê-lo pela luz e pela vida verdejante à beira do caminho colorindo o mundo, para quem passa.

E para não dizer que não sou nada, digo que sou o caminhante sem pátria; mas não sem pátria do ninho onde nasci e onde estou e vou agora! Sem pátria das regras, sem pátria dos preconceitos, sem pátria dos códigos secretos, sem pátria dos politiqueiros, sem pátria dos ditadores que sem pátria vão por eles muitos desvalidos em pátrias dos de ninguém, sim.

Minha verdadeira pátria é o universo, mas é também minha terra humilde; e como Ele disse é “minha língua”, meu coração, o meu pensamento, meus irmãos do mundo e se o conheço e dele possuo ainda que um mísero e parco entendimento, é também o meu Amor.

Mas a verdadeira pátria é a árvore da vida universal, onde consciente ou inconsciente estou a pensar e a sentir – e se no fim nisto se resumir o ser, sou um ser... Patriótico sem pátria, porém sou um homem pátrio da minha língua e do meu sangue.