sexta-feira, 10 de maio de 2013

SAUDADE

ESTÉTICA DO SIMBOLISMO

                                                
Hoje estou só. Só e não sei se é numa ilha ou arquipélago onde estou sem saber nada de mim. Sei apenas que o estar só é um estado solitário e silencioso. Mas estranhamente não estou triste. Serenamente ordeno os mais vivos e coloridos objetos mentais em minha memória e retorno aos locais por onde tenham andado e observo e até sinto as impressões de pessoas tão queridas! Por elas, em homenagem à vida que prosseguiu e chegou até aqui, coloco ao fundo belas paisagens, conferindo-lhe um mínimo de originalidade semelhante àquelas onde vivenciemos belos episódios de cujas cenas, às vezes até banais e em circunstâncias inesperadas, porém inesquecíveis, profundas e de saudosas memórias.

E é por elas, apenas por essas belas memórias sou profundamente agradecido ter andado por essas vias e vivido esses momentos com amigos, conhecido saudosas mulheres das quais até o perfume ainda guardo como inesquecíveis lembranças, de que ainda são amorosamente presentes não só na mente, mas também no meu coração, metáfora de sentimentos amorosos.

Muitas personagens das quais nem guardo imagens claras também criam uma enorme tela um pouco enfumaçada. Formam mesmo imenso retrato em preto e branco, síntese de um tempo que infelizmente já passou. Todavia, permanece ainda em meu inconsciente saudoso quando sou tomado por um grande sentimento e me deixo levar até essas paragens. E até às vezes em lacrimosos sentimentos internos, mas, estranhamente já não causam sofrimento.

Ao contrário, me enlevam a um cenário de estrema beleza onde aí exercito o mais ingênito sentimento pátrio em nossa língua. De harmoniosa expressão fonética é a filha natural e única da alma lusitana, SAUDADE! Este nobilíssimo sentimento que até às longínquas terras foi levado e ainda leva em singular forma de vida, fecunda no espaço etéreo e mental dourada estrofe, sem par no mundo.

E assim, rude nos rudes, divina e liricamente, ele, o maior de todos os poetas magistralmente cantou: “Que me quereis perpétuas saudades?” Para que de tal forma em arte jamais alguém ousasse igualar em verso! E também para que não vá a estranhos palcos ser exibida, por ser tão somente profunda e amorosamente SAUDADE!

Bebo-a eu em longos tragos, sim, bebo-a eu e por estar tão intimamente presente em minha alma, as lágrimas nela vertidas se convertem em cristais límpidos de um sentir, tal como em tantos anônimos seres vai a ornar o ilustre peito lusitano!

E é assim que pelo mundo fecunda nobilíssima e original nostalgia! E onde houver um simples vocábulo português, aí estará presente a conceder a tônica e a revelar do sangue a real herança de uma raça, cujo nobre sentimento exprime de espírito a beleza em lusitaníssima saudade!

Por isso, embora não estando triste mergulho na essência da alma lusa só para dele repetir: “Que me quereis perpétuas saudades?”

Mas quando já a mágoa é passada e o canto silenciado da outrora: “voz enrouquecida e não do canto, mas por que venho cantar a gente surda e endurecida”, ainda eu exclamo: que pena!  Ainda hoje ande de muitas vistas apartada, a tua arte, por estranhas e talvez ensurdecidas almas tão pequenas! Que pena saudoso cantor! Porém aqueles outros que às lágrimas vos levaram enrouquecendo-vos a voz, onde estão agora? Que nomes tiveram? Ah, valeu então a pena ó, sublime cantor da alma lusitana! Pois que em ti “a alma não é pequena”, como dizia outro de alma e de espírito grandes, para cantar “o peito e o feito ilustre lusitano”.

2 comentários:

  1. E como diria o querido P'ssoa, após ler tua crônica:

    Navegar EU preciso....

    Bjp Nac♥

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  2. Rrsrsrsr Norma!!!!!!!!!!!!!!!!!

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