domingo, 20 de janeiro de 2013

HOMENAGEM AOS IDOS ANOS... EM 15/06/95


Mensagem aos Amigos – 


Teremos mesmo refletida nos amigos a imagem fiel dos nossos defeitos, como afirmam alguns teóricos da psique? Certamente esta afirmação não é correta nem se aplica aos amigos verdadeiros, pois, mesmo sendo raríssimos os amigos verdadeiros não jogam sobre os outros seus próprios dejetos emocionais, nem os responsabilizam pelos seus conflitos ou fracassos.

Isto para se falar da velha amizade platônica, dos bons tempos e sem precisarmos de citar outros princípios que hão de fazer parte da personalidade de homens evoluídos, ou pelo menos bem educados.

A questão do caráter é coisa muito séria, que muitas vezes se ignora; passa-se mesmo por cima de elementares princípios da educação em nome de um personalismo arcaico, e até nem haveria nenhum problema, se entre estas pessoas não estivessem aquelas que pretendem ser muito elevadas e andem por aí a fazer escola, e não também andassem algumas até buscando a iluminação em colégios iniciáticos.

Entretanto, cremos com certo grau de certeza que estas pessoas deveriam antes de buscar o divino educar-se, em nível razoável de civilidade, como pessoas terrenas amistosas, para depois sim, almejarem outros vôos mais altos.

É muito triste quando se ouvem comentários de “amigos” narrando com precisão os defeitos alheios, mas que aos olhos nos saltam serem projeções deles próprios, embora disfarçados de adereços ao pescoço, brincos caríssimos nas orelhas, sem, todavia conseguirem esconder a máscara, apesar da maquiagem e outros penduricalhos reluzentes.

Condená-los por isto também não podemos, nem devemos porque não têm culpa. Pobres de espírito, e pobres de espírito no sentido literal por faltar mesmo esse toque maduro de clareza, e antes de qualquer castigo são merecedores de compaixão; mas nós não devemos também ser compassivos em todas as horas! De vez em quando  precisam ser beliscados, mas com muita cautela para não melindrá-los e sem os julgar!

A sua leviandade já é por si muito cruel. E a sua boa e madura educação que ainda não amarelou adquirindo cores douradas substituem-na até com enfeites, mas revelam ainda mais fugas e compensações entremeadas de goles de cachaça, mas já algo embrionário lhes causa melancolia, revelando a falta de algo...

Deveremos sentir pena ou lamentar estarem ainda verdes as frutas quando passando pelo pomar as observamos? Não! Lamente-se apenas muito de leve não podermos comê-las!

Da mesma forma não se deve sentir pena dos “amigos”, que de alguma forma nossa pena é o embrião de nosso julgamento e ao julgá-los sempre entra no processo o conteúdo da presunção de quem julga.

Ou não é verdade que o indivíduo o é por seu particular estado de ser, ver, sentir e ouvir? É então o agente de si mesmo qualquer indivíduo, e então “julgar” sem ser magistrado pelos autos de um processo, é perigoso imprimir na outra pessoa os próprios conceitos, vícios, defeitos, mas nunca as virtudes que a estas as julga exclusivas e somente suas.

Enfim, julga segundo a crença absurda de que existe separadamente o bem e o mal, e sempre o bem vencerá porque ele é o bem e no fim sempre vence. E não é verdade, nem é este o jogo da evolução, ficando muito bem concluir esta prosa com a sentença do maior sábio de todos os tempos: JHS - “Nem bem nem mal, senão a grandeza sublime da Lei”.

2 comentários:

  1. "O homem é dono do que cala e escravo do que fala.
    Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo." Freud

    Obrigada, Júliot

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  2. Verdade, Norma. Freud tinha razão

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