quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Retalhos Rítmicos



Retalhos... entrecortados pensamentos volta e meia rondam minha imaginação e eu escrevo sem saber pra que, mas entre fazer e desfazer eu prefiro escrever... Não! Conferir-lhe importância? Não! Se o tempo tivesse muito valor talvez valesse a pena! Arte sim. Sempre vale a pena e rendo-lhe todas as honras e acuso-a de me causar as maiores frustrações, devido os meus parcos talentos.

 

Quebra cabeças


No mundo em que as minhas fantasias sorriem para mim, não correm gotas de sangue!

Pois em vez de ouvir tiros de todas as marcas e calibres, inclusive disparados pela boca, com os ouvidos fechados é que ouço as cotovias a cantar de manhã cedo ao levantar-me.

E sem me zangar com a ausência de seu canto, ouça as rolinhas ou mesmo os pardais que não os espantos, e eles já não têm medo de mim!

É quando as minhas fantasias riem-se dos tolos, dos tolos defensores de qualquer teoria que liberta eliminando os desafetos e os outros!

Mas ainda alguém, que eu não sei quem, de vez em quando aparece de repente saindo da sombra para repartir meu já tão pobre saldo do soldo...

(e eu que fui soldado de outra guerra, sinto-me estrangeiro mesmo tendo vindo do pátrio estado de monge e guerreiro da paz; e até faz-se agora a terra estranha, de homens estranhos que vieram de longe, e só aos pássaros é possível ouvir, sem agredirem meus ouvidos!)

(E o mundo novo, quem diria! Ainda ontem foi ao estrangeiro, mas já voltou; foi tão ligeiro que nem já chegou!)

Ainda bem que no mundo das minhas fantasias transformo os espinhos em rosas! E até ao canto das cotovias de vez em quando eu o furto, - único furto que pratico - para compor as minhas prosas!

Filosofia de Castiçal


A filosofia de castiçal tem como sopro uma vela; imagine-se em quão profundo mar submerge o “filósofo” com ela!

A falar sem dizer nada, a “praguejar” contra o mundo, senta-se à beira da estrada a descansar, mentalmente moribundo.

Desocupado da vida a mal dizer de todo o mundo, não olha à própria ferida e sem dizer nada, apesar de falar muito vai mudo!

Filósofo de castiçal! Cuidado com a ventania! Pois nem é preciso um vendaval! Qualquer sopro leve apaga a vela que te alumia!

Não sei


Por causa do que não sei, ainda ando a buscar algo que eu não herdei e na carne ando a experimentar; alguma coisa que não sei aonde procurar.

Andei por tantas estradas, arrastei tantas cargas e em nada do que trouxe nada encontrei; por causa do que não sei, por nadas ter encontrado e ter andando onde andei, no meu baú tenho guardado só na memória plasmado, o que não sei. Nada eu tenho encontrado nas coisas nas quais procurei!

Por causa do que não sei e esses nadas ter encontrado, no meu baú tenho guardado pedaços, retalhos, e já nem a ferrugem anda a corromper!

Somente este meu ser nada com degraus, estradas para subir! Mas não sei se há escadas, por causa de umas palavras que não escutei! Por causa de qualquer nada, por causa do que não sei? Não, eu não escutarei nada, por causa do que não sei!

3 comentários:

  1. O poeta está vivo, com seus moinhos de vento
    A impulsionar a grande roda da história
    Mas quem tem coragem de ouvir
    Amanheceu o pensamento
    Que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento
    (...)
    O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou
    Conheceu os jardins do Éden e nos contou
    Mas quem tem coragem de ouvir
    Amanheceu o pensamento
    O Poeta está Vivo (Barão Vermelho)
    Boa Sorte!
    Bjo Norma

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  2. Norma, estou sem inspiração...

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  3. Então para ti e em homenagem a quem nos leu:

    Charlie Haden & Egberto Gismonti - Palhaco

    http://youtu.be/HienXFu-T-0

    __/\__ Gasshô, Norma

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